faith-and-politics

Por Fabricio Luis Lovato

O Estado está economicamente fraco, sendo alvo de interesse das nações estrangeiras, desejosas por expandirem mais e mais sua influência. Pesadas cargas tributárias são impostas ao povo. A política interna tem sofrido turbulências das mais diversas. A crise agrava as injustiças sociais, com os ricos cada vez mais explorando aos pobres. A corrupção moral devasta a nação. O culto ao Deus verdadeiro é abandonado, abrindo-se espaço para idolatria e superstições, mas as pessoas continuam mantendo uma falsa segurança de que, com um culto formal e vazio de significado, Deus será obrigado a abençoar o país. Não, não estamos falando do Brasil! Essa era a situação da nação de Judá, no 8º século antes de Cristo. [1]

            Em meio ao caos político, econômico e religioso, Deus levantou Seus profetas para conclamar ao povo para uma mudança de coração e à prática da piedade, a fim de que Ele pudesse enviar tempos de restauração e cura. Um destes profetas foi Miquéias, o qual chamou o povo judeu de volta à justiça ética, à bondade, à compaixão, à misericórdia, à humildade (6.8) e ao futuro juiz de Israel (5.1), o Senhor Jesus Cristo, o qual nasceria em Belém (5.2) e apascentaria o povo na força do Senhor (5.4). [2]

            Uma coisa que se torna explícita ao estudarmos a história bíblica de Israel, e mesmo das demais nações, é que, onde existe o ser humano, existem tempos de crise – e podemos até dizer que isso começou já no terceiro capítulo de Gênesis. Quando isso ocorre, Deus espera que Seus servos estejam prontos a reagir!

‘Crise’ é uma das palavras que mais têm sido vistas ou ouvidas na TV, jornais e sites da internet nos últimos meses. O Brasil tem passado por momentos difíceis, incomparáveis com qualquer outro momento em sua história. A economia entrou em recessão e o país tem perdido seus investimentos financeiros. A inflação está em alta, as contas públicas estão mais desequilibradas do que nunca e inúmeras empresas têm ido à falência. Milhões de pessoas foram às ruas clamando por mudanças, mas manobras políticas impedem que algo efetivo realmente seja feito. Brados de ‘impeachment’ ouviram-se por todas as regiões, assim como vozes contrárias afirmando que tal ação não será a solução. Ambos os grupos têm acusado um ao outro de estarem executando tentativas de ‘golpe’, e mesmo entre os seguidores de Cristo os ânimos têm estado acirrados. Não raras vezes, agressões verbais e físicas aparecem em tais manifestações.

Como filhos redimidos do Senhor, somos chamados a sermos luz do mundo (Mateus 5.14). Uma vez que fomos chamados filhos da luz, resgatados do império das trevas de Satanás para a maravilhosa luz de Jesus (1 Pedro 2.9), somos encarregados de andarmos na verdade, resplandecermos como astros nesse mundo e iluminarmos as vidas dos demais homens [3]. Em termos práticos, o que podemos fazer diante do difícil contexto nacional em que nos encontramos?

1. Confie que o controle desse país – e desse mundo – está nas mãos de Deus. “Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, por que dEle é a sabedoria e o poder; é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; Ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes” (Daniel 2.21). A confusão parece reinar, mas Deus continua sendo Soberano sobre cada situação. Quando tudo parece sem solução, é aí que, em resposta às orações de Sua Igreja, Deus intervém para trazer a bênção! “Daniel teve a certeza de que, na crise, ele e seus amigos poderiam orar como nenhuma das outras pessoas envolvidas sabia fazer, e orar a um Deus que nunca falharia. Daniel dedicou-se a isso, confiante de que haveria de ser o agente de um verdadeiro milagre. Apesar de ser fraco e nada saber, mesmo assim este homem era forte e sabia tudo porque estava confiando no Deus vivo.” [4]

2. Empregue seus recursos com sabedoria. “Por que gastais vosso dinheiro naquilo que não é pão, e vosso suor, naquilo que não satisfaz? (Isaías 55.2) Uma quantidade considerável das parábolas de Jesus envolve o uso apropriado de recursos materiais. Tudo aquilo que temos vêm das mãos de Deus, e deve ser empregado de forma que O glorifique. Se em tempos ‘estáveis’ devemos ser sábios no emprego de nossas posses, ainda mais o devemos ser em tempos de dificuldade econômica! Além do mais, não devemos ajuntar tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e ladrões roubam (Mateus 6.19). Ao priorizarmos o reino de Deus, acumulamos nossos tesouros no céu. A crise econômica não nos exime das responsabilidades do cuidado com aqueles de nossa própria casa (1 Timóteo 5.8) e da Igreja de Deus (1 Coríntios 9.14).

3. Ame aqueles que pensam de forma diferente de você. “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Romanos 12.10). Preferir aos outros antes que a si mesmo! Quantos têm pecado neste ponto, ao entrarem em discussões improdutivas sobre questões políticas (tenho lido e ouvido: ‘Você é de Direita, então não é Cristão’/‘Você é de Esquerda, então não ama ao Evangelho’, etc.), insultando a pessoas que portam a imagem e semelhança de Deus (cf. Tiago 3.9). De forma alguma sou adepto do ditado de que ‘Política, Religião e Esporte não se discutem’ (penso justamente o contrário!), mas se a discussão se resume a desrespeito e críticas ácidas, o exemplo Cristão manchou-se há tempos.

4. Honre e ore pela nação e pelos seus governadores. “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda a piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2.1-4). Muitos têm usado as redes sociais para reclamar das lideranças políticas de nosso país, mas quantos de nós, sinceramente, já dobramos os joelhos para orar em favor delas, a fim de que Deus lhes conduza em sabedoria para lidarem com a situação atual? Afinal, o coração dos reis está nas mãos de Deus, e segundo o Seu querer, Ele os inclina. (Provérbios 21.1) As Escrituras afirmam que as autoridades que existem foram instituídas por Deus com a finalidade de punir os malfeitores e encorajar os cidadãos obedientes às leis (Romanos 13.1-6). Tanto quanto for compatível com os mandamentos de Deus, devemos honrar as autoridades civis estabelecidas. [5]

5. Empenhe-se pessoalmente pelo progresso de sua nação. Como herdeiros da tradição evangélica Batista, os Batistas do Sétimo Dia defendem uma rígida separação entre a Igreja e o Estado. Porém, historicamente, jamais se opuseram ao envolvimento de seus membros nas questões políticas e sociais de sua época. Do período colonial americano aos dias modernos, muitos membros da Igreja têm servido em posições de juízes de paz, vereadores, membros da Câmara Legislativa do Congresso, prefeitos e governadores. [6]

Mesmo os membros da igreja não envolvidos diretamente em cargos políticos têm sentido como parte de seu dever Cristão o empenhar-se em uma reforma moral e social de suas comunidades, lutando por causas justas ligadas aos órfãos, aos deficientes físicos, às relações inter-raciais, ao direito à vida, às liberdades religiosas, à preservação do meio ambiente, entre outras [7].

Ainda nos primeiros séculos da Igreja Cristã, o Império Romano foi influenciado a criar leis contra o aborto, o abandono infantil e o infanticídio. A cremação de viúvas vivas juntamente com seus maridos falecidos foi proibida na Índia em 1829, devido à influência Cristã. O Cristão William Wilberforce lutou 40 anos contra a escravidão na Inglaterra (o filme ‘Jornada pela liberdade’ retrata essa história). Mais de 2/3 dos abolicionistas nos Estados Unidos eram clérigos Cristãos, que pregavam a partir da Bíblia que a escravidão era um mal moral que deveria ser erradicado do país. O pastor Batista Martin Luther King lutou contra a segregação racial em seu país, sendo assassinado por isso. [8]

É na paz de nossa terra que encontraremos nossa própria paz (Jeremias 29.7).

Amém!

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Referências Bibliográficas

[1] GUSSO, Antônio Renato. Panorama Histórico de Israel. AD Santos, 2006, pág. 103-124.

[2] UNGER, Merril Frederick Unger. Manual Bíblico Unger. Vida Nova, 2011, pág. 330.

[3] PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard, F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. CPAD, 2006, pág. 1187.

[4] WALLACE, Ronald S. A Mensagem de Daniel, ABU Editora, 1985, pág. 47.

[5] DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia, Vida Nova, 2006, pág. 134.

[6] SANFORD, Don A. Um Povo que Escolhe: A História dos Batistas do Sétimo Dia. CBSDB, 2007, pág. 137.

[7] Ibidem, pág. 377-392.

[8] Para uma explicação mais detalhada sobre qual deve ser a relação do Cristão com as questões sociais e políticas, veja: GRUDEM, Wayne. Política segundo a Bíblia: Princípios que todo cristão deve conhecer. Vida Nova, 2014, 192 pág.

[Imagem] http://wp.production.patheos.com/blogs/rogerwolsey/files/2014/01/faith-and-politics.jpg

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3 Comments

  1. ISMAEL RODRIGUES ALVES disse:

    DESEJO CONHECER MAIS SOBRE IB7 NO BRASIL

  2. Cristhiano Daniel Fritzen disse:

    Belo texto, Fabrício!!
    Ismael você é de onde? Abraços!

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