Por volta do 6º século antes de Cristo, Nabucodonosor, monarca do grande império Babilônico, teve um sonho que muito o surpreendeu. Ele sabia que havia algum significado naquela mensagem. Porém, ao acordar de seu sono, percebeu que havia um ‘pequeno’ problema: ele havia esquecido completamente o que havia sonhado! Desesperado, convocou sua legião de conselheiros religiosos, que incluíam feiticeiros, numerólogos, astrólogos, encantadores, entre outros, solicitando que lhe declarassem qual havia sido seu sonho e o seu significado. A resposta conjunta do grupo foi:

“O que o senhor está querendo é impossível. Não existe quem possa atender o seu pedido, a não ser os deuses, e estes não moram com os homens.” (Daniel 2:11)

O restante da história você pode ler no segundo capítulo do livro do profeta Daniel, mas o que desejo destacar de tal relato é a percepção pagã de que os deuses estavam distantes da humanidade, não se importando de fato com suas necessidades e bem-estar. Só respondiam (supostamente) quando convocados por meio de oferendas que lhes agradassem ou por meio de rituais ocultistas.

Quão diferente essa imagem da do Deus de Israel, que se revelou a nós através da Bíblia. Após libertar o povo israelita da escravidão egípcia, Deus lhes disse:

“E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles.” (Êxodo 25:8)

O santuário ou tabernáculo, colocado no meio do acampamento, era a demonstração visível do desejo divino de habitar no meio de Seu povo, sendo o centro de suas vidas e adoração. Assim como Deus andava no Éden com nossos primeiros pais (Gênesis 3:8), Sua presença era manifesta na glória Shekhinah, no Lugar Santíssimo do santuário israelita, onde apenas o sumo-sacerdote tinha acesso, e isso, uma vez ao ano somente, no Dia da Expiação (Levítico 16).

Mas a presença divina no meio de Seu povo haveria de ser manifesta de forma ainda mais pessoal. Muitos profetas falaram de um tempo quando o próprio Deus viria e habitaria entre nós. Zacarias, por exemplo, declarou:

“Assim diz o Senhor: Voltarei para Sião e habitarei no meio de Jerusalém. Jerusalém chamar-se-á cidade fiel e o monte do Senhor dos Exércitos, monte santo.” (Zacarias 8:3)

Isaías profetizou como seria a manifestação de Deus quando Ele viesse a nós:

“Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel [Deus conosco].” (Isaías 7:14)

Cerca de 600 anos depois, vemos o notável cumprimento dessa profecia em um frágil bebê, nascido de uma jovem e humilde judia chamada Maria, nas estrebarias de uma pequena cidade chamada Belém. O que olhos humanos não podiam desvendar naquele momento era que aquele bebê deitado em uma manjedoura era o próprio Deus, o qual havia assumido a natureza humana. Nas palavras da Rainha Lúcia, na obra ‘As Crônicas de Nárnias’, de C. S. Lewis:

“Em nosso mundo também, em um estábulo, certa vez, tinha algo dentro dele que era maior do que todo o universo!” [1]

Esse era apenas o início de uma obra de Salvação, que terminaria na morte e ressurreição de Jesus de Nazaré em nosso favor, e a qual podemos ler nos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Quando contemplamos os relatos da vida de Cristo, comtemplamos as obras, o caráter e o amor do próprio Deus:

“Disse Filipe: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta’. Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: Mostra-nos o Pai’?” (João 14:8-9)

No século XIX, John Harris declarou a respeito de Cristo que “Ele veio e montou o seu tabernáculo no meio do acampamento humano, armou a sua tenda lado a lado com as nossas tendas, para atestar a presença de Deus, para nos familiarizarmos com seu caráter e tornar-nos sensíveis ao seu amor.” [2]

Mesmo quando ascendeu aos céus, Cristo garantiu que sua presença estaria conosco até o fim:

“E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” (Mateus 28:20)

Quando Cristo retornar novamente, Sua habitação conosco jamais acabará:

“Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.” (Apocalipse 21:3-4)

Que esse Natal seja um tempo de olharmos para Cristo e lhe rededicarmos nossas vidas. Ele é o Deus que habitou, habita e habitará conosco para sempre.

 

 

Fabricio Luís Lovato

 

Referências

[1] C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia, volume único, p. 712.

[2] John Harris, The Great Teacher, p. 129.

 

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